9 túneis mais longos do mundo e onde eles estão localizados
Explore a engenharia subterrânea e conheça os detalhes dos túneis mais longos do mundo com registros impressionantes de extensão.
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O que pode levar água por centenas de quilômetros, atravessar o fundo do mar ou cortar montanhas inteiras sem que quase ninguém perceba? Os túneis fazem tudo isso — e alguns alcançam extensões que parecem difíceis de imaginar. Embora os ferroviários e rodoviários sejam os mais conhecidos, alguns dos túneis mais longos do mundo foram construídos para transportar água.
A lista a seguir reúne nove exemplos impressionantes, em diferentes países e com funções distintas. Como nem todos pertencem à mesma categoria, vale lembrar que comparar suas extensões não significa comparar obras idênticas: um túnel de abastecimento de água tem exigências diferentes das de uma ligação ferroviária internacional.
Como comparar os túneis mais longos
O comprimento é apenas uma das medidas que ajudam a entender uma obra subterrânea. Também importam a finalidade, o número de galerias, a profundidade, o tipo de terreno e a forma de construção. Em túneis ferroviários, por exemplo, pode haver uma ou mais galerias paralelas; em sistemas de água, a extensão pode corresponder a um corredor contínuo entre áreas de captação e distribuição.
Outro detalhe é que algumas listas consideram o comprimento total de uma estrutura, enquanto outras destacam apenas o trecho escavado ou submerso. Por isso, os dados abaixo são apresentados de forma contextualizada. A seleção inclui túneis de transporte e de condução de água, ordenados aproximadamente por extensão, e não apenas obras ferroviárias ou rodoviárias.
1. Aqueduto de Delaware — Estados Unidos
Com cerca de 137 quilômetros, o Aqueduto de Delaware é frequentemente citado como o túnel mais longo do mundo. Localizado no estado de Nova York, ele integra o sistema de abastecimento de água da cidade de Nova York e conduz água desde reservatórios na região das montanhas Catskill até áreas próximas à metrópole.
A construção começou na década de 1930, e o aqueduto entrou em operação em 1944. Sua escala impressiona não apenas pelo comprimento: em alguns trechos, a estrutura passa centenas de metros abaixo da superfície. Diferentemente de um túnel de transporte, ele não foi projetado para receber trens ou veículos, mas para manter o fluxo de água em uma rota subterrânea extensa.
2. Túnel de água de Päijänne — Finlândia
O túnel de Päijänne tem aproximadamente 120 quilômetros e conecta o lago Päijänne à região metropolitana de Helsinque. Ele atravessa o sul da Finlândia, levando água que abastece cidades como Helsinque, Espoo e Vantaa.
Escavado principalmente em rocha, o túnel começou a operar na década de 1980. A escolha de uma rota subterrânea ajuda a proteger a água de contaminações superficiais e a transportá-la por gravidade em grande parte do percurso. É um exemplo de como uma obra invisível pode sustentar a vida cotidiana de uma população numerosa.
3. Túnel de Dahuofang — China
Na província de Liaoning, no nordeste da China, o túnel associado ao sistema de abastecimento do reservatório de Dahuofang tem cerca de 85 quilômetros. A obra integra uma infraestrutura destinada a transportar água para cidades da região, incluindo Shenyang, uma importante área urbana e industrial.
O projeto evidencia um desafio cada vez mais relevante: a distribuição de recursos hídricos entre regiões com diferentes condições de disponibilidade. Construir um túnel dessa dimensão exige planejamento geológico detalhado, ventilação e controle de segurança durante as escavações, além de sistemas confiáveis para operação e manutenção.
4. Túnel Orange-Fish River — África do Sul
Com aproximadamente 82,8 quilômetros, o túnel Orange-Fish River atravessa áreas do interior da África do Sul. Ele faz parte de um sistema de transferência de água que conduz recursos do rio Orange para regiões agrícolas e comunidades do vale do rio Fish, na província do Cabo Oriental.
A obra, concluída na década de 1970, foi concebida para apoiar o abastecimento e a irrigação em uma região marcada por condições secas. Seu percurso passa por formações rochosas e integra canais, reservatórios e outras estruturas hidráulicas. É uma lembrança de que túneis muito longos podem ser decisivos para a agricultura e para o desenvolvimento regional, além de despertar interesse pela engenharia.
5. Túnel de Bolmen — Suécia
O túnel de Bolmen, com cerca de 82 quilômetros, transporta água do lago Bolmen, no sul da Suécia, para a região de Skåne. Entre os centros urbanos atendidos estão Malmö e Lund, além de outras localidades da área.
A construção teve início na década de 1970, e o sistema entrou em operação em 1987. A água percorre uma longa distância por uma estrutura subterrânea que ajuda a garantir o abastecimento de uma região densamente povoada. Como em outros grandes túneis hidráulicos, sua presença não é evidente para a maioria dos moradores, embora seu funcionamento seja essencial para as cidades atendidas.
6. Túnel Base de São Gotardo — Suíça
Com 57,1 quilômetros, o Túnel Base de São Gotardo é o mais longo túnel ferroviário do mundo. Ele atravessa os Alpes suíços e liga Erstfeld, no norte, a Bodio, no sul. Inaugurado em 2016, faz parte de uma importante rota ferroviária europeia para passageiros e cargas.
A obra foi projetada para permitir que os trens atravessem os Alpes em uma rota mais baixa e direta do que as linhas montanhosas tradicionais. Isso reduz inclinações e facilita o transporte de mercadorias por ferrovia. O projeto conta com duas galerias principais, ligadas por passagens transversais de segurança. Seu comprimento e sua função logística fizeram dele um marco da engenharia contemporânea.
7. Túnel Seikan — Japão
O Túnel Seikan tem 53,85 quilômetros e conecta as ilhas japonesas de Honshu e Hokkaido sob o estreito de Tsugaru. Cerca de 23 quilômetros de seu trajeto ficam sob o leito marinho, o que o tornou uma das grandes referências mundiais em túneis submarinos.
Aberto em 1988, o túnel foi construído para oferecer uma ligação ferroviária permanente entre as ilhas. O trabalho enfrentou condições geológicas complexas e a pressão da água do mar, exigindo técnicas específicas de escavação e impermeabilização. Hoje, a estrutura é utilizada por serviços ferroviários que incluem trens de alta velocidade da rede japonesa Shinkansen.
8. Túnel do Canal da Mancha — França e Reino Unido
O Túnel do Canal da Mancha, também conhecido como Eurotúnel, mede cerca de 50,45 quilômetros entre Coquelles, na França, e Folkestone, no Reino Unido. Aproximadamente 37,9 quilômetros do percurso ficam sob o mar, passando por baixo do Canal da Mancha.
Inaugurado em 1994, o sistema é formado por duas galerias ferroviárias e uma galeria de serviço. Por ele circulam trens de passageiros, serviços de carga e veículos transportados em composições próprias. Apesar de ser frequentemente descrito como um túnel submarino, ele não atravessa o fundo do mar em águas abertas: foi escavado em camadas de rocha sob o leito marinho.
9. Túnel Yulhyeon — Coreia do Sul
O túnel Yulhyeon, com aproximadamente 50,3 quilômetros, integra a linha ferroviária de alta velocidade Suseo–Pyeongtaek, na Coreia do Sul. A estrutura atravessa a região metropolitana de Seul e áreas vizinhas, conectando trechos da rede ferroviária de alta velocidade.
Inaugurado em 2016, é um dos túneis ferroviários mais extensos do mundo e se destaca por estar em uma área de elevada densidade populacional. Sua construção exigiu atenção às condições urbanas e à integração com a infraestrutura já existente. O túnel mostra que grandes desafios subterrâneos não estão apenas em montanhas ou sob o mar: também podem surgir em regiões metropolitanas movimentadas.
O que esses projetos revelam sobre a engenharia
A comparação entre os túneis mais longos mostra como uma mesma solução — abrir um caminho subterrâneo — pode atender a necessidades muito diferentes. Em Nova York, na Finlândia e na Suécia, túneis extensos ajudam a levar água a populações distantes. Na Suíça, no Japão, na França, no Reino Unido e na Coreia do Sul, eles conectam territórios por meio de ferrovias.
Cada obra exige decisões específicas sobre segurança, ventilação, drenagem, geologia e manutenção. Em um túnel submarino, por exemplo, a impermeabilização e os procedimentos de emergência são essenciais. Em um túnel de água, a qualidade do recurso e a confiabilidade do fluxo têm prioridade. A extensão, por si só, não conta toda a história: a finalidade e as condições do terreno definem boa parte da complexidade.
Conclusão
Dos sistemas de abastecimento que cruzam estados e regiões a ferrovias que atravessam mares e montanhas, os túneis demonstram como a engenharia pode transformar distâncias e barreiras naturais em conexões funcionais. Os nove exemplos também mostram que os maiores túneis do planeta nem sempre são aqueles pelos quais viajamos: muitos trabalham silenciosamente para levar água a milhões de pessoas.
Conhecer essas estruturas é uma forma de enxergar a infraestrutura cotidiana com outros olhos. A próxima vez que você atravessar um túnel ou abrir uma torneira, vale pensar em quantas decisões, quilômetros de escavação e soluções técnicas podem existir por trás desse gesto simples.



